Após uma missão pela Mariahilfe rua das boutiques procurando um negócio que minha mãe pediu e não tem em loja nenhuma (duas horas andando e perguntando em inglês por algo cujo nome desconheço para pessoas que só falavam alemão), fui almoçar no vapiano para me despedir.
Desci na estação, rodei um pouquinho porque peguei a saída errada, e me encaminhei. Alguns metros antes, porém, vi um restaurante italiano familiar. Na hora me vieram à mente aquelas ideias de "ah, por que enriquecer uma rede americana de comida italiana se eu posso estimular o comércio local e os negócios familiares, né?" Entrei no restaurante, que tinha uns bancos manchados de mofo e um estilo charme decadente -- que eu particularmente adoro. Acreditei neles, pedi a salada caprese e o espaguete à carbonara, na fé de que superaria e muito o vapiano.
Chega a salada: não são tomates cereja, mas rodelas sem sabor de tomate. O manjericão não era muito saboroso, muito menos a mussarela. Eu já estava no momento "é por isso que os EUA dominam o mundo! Nem os italianos sabem mais fazer comida italiana!", mas quando veio o macarrão... que delícia! Muito, muito bom.
Peguei o metrô pra casa sem pagar. Eu tinha um bilhete de 24h que venceu hoje umas 10h, mas resolvi ignorar isso e fui e voltei pro restaurante de graça e ninguém me parou. Nesses quatro dia, nenhum agente do metrô tinha me parado. Se parassem hoje, seria muito azar, mas eu aceitaria o destino.
Daqui a pouco eu saio pra pegar o ônibus do aeroporto. Mal posso esperar.
europeísmos
Notícias (breves) do Jun nesses dois meses de andança.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Acabo de perdoar a Europa
Eles são um continente atrasado que tira muita onda, mas o cara que fez isso saiu daqui. Eu os perdôo
Quase último dia
De manhã eu planejei ver a Igreja de São Ruprecht, mas desci na estação e não achei a igreja, resolvi voltar ao Danúbio de dia. Ficou mais bonito. Igualmente frio, mas andando para o outro lado havia pessoas caminhando, cachorros e seus donos e famílias alimentando os cisnes. Tirei algumas fotos do rio, dos cisnes (em algumas partes, havia grupos de mais de dez embolados um no outro) e da paisagem.
Voltei no hostel para trocar o filme da câmera(!), almocei com o Lio num restaurante local. Sabe o que é super típico daqui? Schnitzel. Sabe o que é um Schnitzel? Bife à milanesa. Com... batatas fritas. Eu teria vergonha de morar em um país cuja comida típica é bife à milanesa com batatas fritas.
Tomei um café com licor para esquentar e fui no museu Secession, onde está o painel que o Klimt fez a partir da Nona Sinfonia. Hmm... decepcionante, Sr. Klimt. Lamento, mas eu esperava mais.
Morrendo de frio, voltei para o hostel. Se der coragem, tomo um banho e amanhã, se o tempo cooperar, vou passear nas boutiques da Mariahilfe.
Voltei no hostel para trocar o filme da câmera(!), almocei com o Lio num restaurante local. Sabe o que é super típico daqui? Schnitzel. Sabe o que é um Schnitzel? Bife à milanesa. Com... batatas fritas. Eu teria vergonha de morar em um país cuja comida típica é bife à milanesa com batatas fritas.
Tomei um café com licor para esquentar e fui no museu Secession, onde está o painel que o Klimt fez a partir da Nona Sinfonia. Hmm... decepcionante, Sr. Klimt. Lamento, mas eu esperava mais.
Morrendo de frio, voltei para o hostel. Se der coragem, tomo um banho e amanhã, se o tempo cooperar, vou passear nas boutiques da Mariahilfe.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Devagar
Uma coisa ótima aqui em Viena é que o Sol não nasce tão tarde. Umas oito horas, ele já está no céu, talvez até um pouco antes. Assim fica mais fácil acordar.
Mas eu tenho acordado antes do despertador, várias vezes por noite. A ansiedade está me comendo vivo. E as horas parecem passar muito devagar por aqui. Eu acordo, faço um monte de coisa, e ainda faltam cinco horas para ir dormir.
Mas eu tenho acordado antes do despertador, várias vezes por noite. A ansiedade está me comendo vivo. E as horas parecem passar muito devagar por aqui. Eu acordo, faço um monte de coisa, e ainda faltam cinco horas para ir dormir.
Diana
Essa internet europeia, sempre de sacanagem com a minha cara. Cai, volta, cai, volta.
Agora à noite, seguindo a dica da prima antenada Juliana, fui na Lomography Shop aqui de Viena e comprei uma câmera. Mas ninguém vai ver as fotos tão cedo porque... tem que revelar!
Jantei com o Lio no vapiano. Estou viciado na salada caprese deles. Agorinha saí para tirar fotos com a câmera nova. Vamos ver. :D
Agora à noite, seguindo a dica da prima antenada Juliana, fui na Lomography Shop aqui de Viena e comprei uma câmera. Mas ninguém vai ver as fotos tão cedo porque... tem que revelar!
Jantei com o Lio no vapiano. Estou viciado na salada caprese deles. Agorinha saí para tirar fotos com a câmera nova. Vamos ver. :D
Ils sont fous, ces autruchiens
Comecei o dia indo ao Schönbrunn Schloss, que é um dos palácios dos Habsburgo aqui em Viena. Talvez seja a residência de inverno, talvez a de verão, não sei. Para entrar e ver quartos suntuosos, com mobília e outros oiros, pagava-se cerca de dez euros. Para andar pelos jardins, não se pagava nada. Como os jardins são enormes, e eu não costumo me atrair por decoração e mobília, fiquei pelos jardins. Saí à procura do labirinto, mas no inverno ele fica sem folhas, então não é muito fácil se perder. Além do quê, ele tem mais ou menos 1,50 m de altura. No entanto, perto dele há belas estátuas de deuses gregos, assim como uma fonte de Netuno muito bonita. Aliás, o jardim é cheio de lagos e fontes. Os que ficam cheios estão congelados, mas ainda assim as gaivotas se reúnem em torno deles para... não sei. Esperar a primavera, talvez? Até lá, creio eu, elas morrem de fome.
Não preciso dizer que o jardim estava todo branco e eu fiquei com as mãos no bolso o tempo todo, né? Expostas ao ar frio e seco (maldito) daqui, em cinco minutos elas começam a arder e ficar vermelhas, depois roxas, depois a pele começa a rachar. POR FAVOR, verão.
Alguns dos monumentos são muito curiosos. Um deles se chama "ruínas romanas". Você vai até lá, parece que um dia houve alguma contrução do Império Romano aqui, e que ficaram ruínas. Nada de mais. Anda um pouquinho, tá lá a placa: "Essas ruínas foram construídas em 1700 e sei lá, criadas pelo arquiteto tal para criar uma atmosfera de antiguidade." OK, austríacos, vocês são estranhos.
Anda-se mais um pouco pelo jardim, há um obelisco enorme. Feito para ser que nem os obeliscos egípcios, apontando para o Sol. Nas laterais dele, hieroglifos contam a história dos Habsburgo. Acontece que na época em que o obelisco foi feito ninguém tinha decifrado os hieroglifos ainda. OU SEJA, os hieroglifos não dizem nada.
Eu só digo uma coisa: nunca mais foi criticar a Estátua da Liberdade daquele shopping na Barra.
Saí de lá depois de muita andança e um café com licor de ovo. É, eles tomam isso aqui, e não é ruim! O garçom é que era um idiota. Fiz questão de sair sem pedir a conta, só pra dar um susto. Deixei o dinheiro na mesa com uma gorjeta humilhante e ENCHI a minha xícara de pelinhos soltos do meu casaco para entupir a pia dele.
De lá tomei um metrô até a galeria Belvedere, onde está exposto O beijo, do Klimt. Já aviso: as reproduções do quadro são bem mais bonitas. O próprio não me impressionou muito, talvez pelo excesso de dourado, que nas fotos parece mais amarelo mesmo.
Devo comentar antes de tudo A DIFICULDADE que foi achar a entrada da galeria, porque ela ocupa um quarteirão enorme inteiro, mas tem uma ou duas portas, e nenhuma setinha. Praticamente andei vinte minutos procurando a entrada.
Uma vez lá dentro, o Klimt não me agradou tanto. Fiquei triste por não encontrar lá o retrato que ele fez a Margaret Wittgenstein, mas em compensação descobri dois pintores dos quais já tinha ouvido falar muito, mas nunca visto com cuidado: Egon Schiele e Max Oppenheimer. Os dois me agradaram muito. Além deles, um quadro específico me chamou a atenção, mas eu decorei o nome "Child of an Italian Fisherman", e não acho nada com esse nome no google. Acho que decorei errado.
Na volta para o metrô, mais um momento de Europa estranha: um outdoor enorme em alemão que, pelo que entendi, dizia "Deus não está puto, mas está perto de ficar." E um link para http://www.herrgottnocheinmal.at/, que seria algo como www.senhordeusmaisumavez.at. Sociedade fundamentalista católica? Alguém que entenda mais alemão teria que ver.
Às 15.30 cheguei no quarto e todos dormiam. Vou dar uma olhada na rua, talvez nas lojas, jantar em algum lugar, mas estou cansadinho de tanta andança e... com sono e... querendo evitar o frio a todo custo.
Não preciso dizer que o jardim estava todo branco e eu fiquei com as mãos no bolso o tempo todo, né? Expostas ao ar frio e seco (maldito) daqui, em cinco minutos elas começam a arder e ficar vermelhas, depois roxas, depois a pele começa a rachar. POR FAVOR, verão.
Alguns dos monumentos são muito curiosos. Um deles se chama "ruínas romanas". Você vai até lá, parece que um dia houve alguma contrução do Império Romano aqui, e que ficaram ruínas. Nada de mais. Anda um pouquinho, tá lá a placa: "Essas ruínas foram construídas em 1700 e sei lá, criadas pelo arquiteto tal para criar uma atmosfera de antiguidade." OK, austríacos, vocês são estranhos.
Anda-se mais um pouco pelo jardim, há um obelisco enorme. Feito para ser que nem os obeliscos egípcios, apontando para o Sol. Nas laterais dele, hieroglifos contam a história dos Habsburgo. Acontece que na época em que o obelisco foi feito ninguém tinha decifrado os hieroglifos ainda. OU SEJA, os hieroglifos não dizem nada.
Eu só digo uma coisa: nunca mais foi criticar a Estátua da Liberdade daquele shopping na Barra.
Saí de lá depois de muita andança e um café com licor de ovo. É, eles tomam isso aqui, e não é ruim! O garçom é que era um idiota. Fiz questão de sair sem pedir a conta, só pra dar um susto. Deixei o dinheiro na mesa com uma gorjeta humilhante e ENCHI a minha xícara de pelinhos soltos do meu casaco para entupir a pia dele.
De lá tomei um metrô até a galeria Belvedere, onde está exposto O beijo, do Klimt. Já aviso: as reproduções do quadro são bem mais bonitas. O próprio não me impressionou muito, talvez pelo excesso de dourado, que nas fotos parece mais amarelo mesmo.
Devo comentar antes de tudo A DIFICULDADE que foi achar a entrada da galeria, porque ela ocupa um quarteirão enorme inteiro, mas tem uma ou duas portas, e nenhuma setinha. Praticamente andei vinte minutos procurando a entrada.
Uma vez lá dentro, o Klimt não me agradou tanto. Fiquei triste por não encontrar lá o retrato que ele fez a Margaret Wittgenstein, mas em compensação descobri dois pintores dos quais já tinha ouvido falar muito, mas nunca visto com cuidado: Egon Schiele e Max Oppenheimer. Os dois me agradaram muito. Além deles, um quadro específico me chamou a atenção, mas eu decorei o nome "Child of an Italian Fisherman", e não acho nada com esse nome no google. Acho que decorei errado.
Na volta para o metrô, mais um momento de Europa estranha: um outdoor enorme em alemão que, pelo que entendi, dizia "Deus não está puto, mas está perto de ficar." E um link para http://www.herrgottnocheinmal.at/, que seria algo como www.senhordeusmaisumavez.at. Sociedade fundamentalista católica? Alguém que entenda mais alemão teria que ver.
Às 15.30 cheguei no quarto e todos dormiam. Vou dar uma olhada na rua, talvez nas lojas, jantar em algum lugar, mas estou cansadinho de tanta andança e... com sono e... querendo evitar o frio a todo custo.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Agora sim
Tenho que confessar: o Danúbio é enorme. Não tão largo quando a baía de Guanabara, mas bem largo. Talvez metade da baía? É um troço grande.
Após uma tarde de cama, com sono e medo do frio, resolvi fazer um programa SUPER adequado pra -3 graus: andar na beira do rio. Para quem vive em cidade de praia, é tipo andar na beira da praia... em dia de ressaca. Muito vento, muito mais frio do que em qualquer lugar da cidade. Mas lá fui eu, desci perto, olhei à direita e vi uma ponte, fui em direção. Depois consegui achar um caminho à beira do rio, que nem sei se era particular, mas entrei e fui seguindo. Tudo escuro, deserto e... frio. Pensei em ir até uma outra ponte que avistei bem longe, mas no meio do caminho desisti, porque continuava muito longe e o frio não passava.
Na beira do rio, muitos patos, marrecos e cisnes. Vi inclusive um cisne voando sobre o rio, é muito bonito.
De volta à ponte de partida, resolvi atravessá-la. QUE FRIO DOS INFERNOS, mas deu para ter uma ideia do tamanho do rio. Tem uma estação de metrô no meio da ponte! E logo ao lado da porta uma pichação: "Dieser Flusss fliesst zu mir, meine Gedanke zu dir." Eu teria fotografado se tivesse uma câmera.
Ponte atravessada e... nada do outro lado. Acho que é uma área diurna ou residencial. Peguei o metrô de volta pro centro e jantei no vapiano, porque me faltou paciência para procurar restaurante e o vapiano já é muito bom.
Olha que maravilha, achei uma foto da pichação no google. Para que ter câmera quando se tem google, né?
Após uma tarde de cama, com sono e medo do frio, resolvi fazer um programa SUPER adequado pra -3 graus: andar na beira do rio. Para quem vive em cidade de praia, é tipo andar na beira da praia... em dia de ressaca. Muito vento, muito mais frio do que em qualquer lugar da cidade. Mas lá fui eu, desci perto, olhei à direita e vi uma ponte, fui em direção. Depois consegui achar um caminho à beira do rio, que nem sei se era particular, mas entrei e fui seguindo. Tudo escuro, deserto e... frio. Pensei em ir até uma outra ponte que avistei bem longe, mas no meio do caminho desisti, porque continuava muito longe e o frio não passava.
Na beira do rio, muitos patos, marrecos e cisnes. Vi inclusive um cisne voando sobre o rio, é muito bonito.
De volta à ponte de partida, resolvi atravessá-la. QUE FRIO DOS INFERNOS, mas deu para ter uma ideia do tamanho do rio. Tem uma estação de metrô no meio da ponte! E logo ao lado da porta uma pichação: "Dieser Flusss fliesst zu mir, meine Gedanke zu dir." Eu teria fotografado se tivesse uma câmera.
Ponte atravessada e... nada do outro lado. Acho que é uma área diurna ou residencial. Peguei o metrô de volta pro centro e jantei no vapiano, porque me faltou paciência para procurar restaurante e o vapiano já é muito bom.
Olha que maravilha, achei uma foto da pichação no google. Para que ter câmera quando se tem google, né?
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