terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ils sont fous, ces autruchiens

Comecei o dia indo ao Schönbrunn Schloss, que é um dos palácios dos Habsburgo aqui em Viena. Talvez seja a residência de inverno, talvez a de verão, não sei. Para entrar e ver quartos suntuosos, com mobília e outros oiros, pagava-se cerca de dez euros. Para andar pelos jardins, não se pagava nada. Como os jardins são enormes, e eu não costumo me atrair por decoração e mobília, fiquei pelos jardins. Saí à procura do labirinto, mas no inverno ele fica sem folhas, então não é muito fácil se perder. Além do quê, ele tem mais ou menos 1,50 m de altura. No entanto, perto dele há belas estátuas de deuses gregos, assim como uma fonte de Netuno muito bonita. Aliás, o jardim é cheio de lagos e fontes. Os que ficam cheios estão congelados, mas ainda assim as gaivotas se reúnem em torno deles para... não sei. Esperar a primavera, talvez? Até lá, creio eu, elas morrem de fome.
Não preciso dizer que o jardim estava todo branco e eu fiquei com as mãos no bolso o tempo todo, né? Expostas ao ar frio e seco (maldito) daqui, em cinco minutos elas começam a arder e ficar vermelhas, depois roxas, depois a pele começa a rachar. POR FAVOR, verão.
Alguns dos monumentos são muito curiosos. Um deles se chama "ruínas romanas". Você vai até lá, parece que um dia houve alguma contrução do Império Romano aqui, e que ficaram ruínas. Nada de mais. Anda um pouquinho, tá lá a placa: "Essas ruínas foram construídas em 1700 e sei lá, criadas pelo arquiteto tal para criar uma atmosfera de antiguidade." OK, austríacos, vocês são estranhos.
Anda-se mais um pouco pelo jardim, há um obelisco enorme. Feito para ser que nem os obeliscos egípcios, apontando para o Sol. Nas laterais dele, hieroglifos contam a história dos Habsburgo. Acontece que na época em que o obelisco foi feito ninguém tinha decifrado os hieroglifos ainda. OU SEJA, os hieroglifos não dizem nada.
Eu só digo uma coisa: nunca mais foi criticar a Estátua da Liberdade daquele shopping na Barra.
Saí de lá depois de muita andança e um café com licor de ovo. É, eles tomam isso aqui, e não é ruim! O garçom é que era um idiota. Fiz questão de sair sem pedir a conta, só pra dar um susto. Deixei o dinheiro na mesa com uma gorjeta humilhante e ENCHI a minha xícara de pelinhos soltos do meu casaco para entupir a pia dele.
De lá tomei um metrô até a galeria Belvedere, onde está exposto O beijo, do Klimt. Já aviso: as reproduções do quadro são bem mais bonitas. O próprio não me impressionou muito, talvez pelo excesso de dourado, que nas fotos parece mais amarelo mesmo.
Devo comentar antes de tudo A DIFICULDADE que foi achar a entrada da galeria, porque ela ocupa um quarteirão enorme inteiro, mas tem uma ou duas portas, e nenhuma setinha. Praticamente andei vinte minutos procurando a entrada.
Uma vez lá dentro, o Klimt não me agradou tanto. Fiquei triste por não encontrar lá o retrato que ele fez a Margaret Wittgenstein, mas em compensação descobri dois pintores dos quais já tinha ouvido falar muito, mas nunca visto com cuidado: Egon Schiele e Max Oppenheimer. Os dois me agradaram muito. Além deles, um quadro específico me chamou a atenção, mas eu decorei o nome "Child of an Italian Fisherman", e não acho nada com esse nome no google. Acho que decorei errado.
Na volta para o metrô, mais um momento de Europa estranha: um outdoor enorme em alemão que, pelo que entendi, dizia "Deus não está puto, mas está perto de ficar." E um link para http://www.herrgottnocheinmal.at/, que seria algo como www.senhordeusmaisumavez.at. Sociedade fundamentalista católica? Alguém que entenda mais alemão teria que ver.
Às 15.30 cheguei no quarto e todos dormiam. Vou dar uma olhada na rua, talvez nas lojas, jantar em algum lugar, mas estou cansadinho de tanta andança e... com sono e... querendo evitar o frio a todo custo.