domingo, 30 de janeiro de 2011

Alô, seu José Strauss!

De onde foi mesmo que o senhor tirou que o Danúbio é azul? Lá em Budapeste ele é beeem largo (mais que o Tâmisa, que o Moldau em Praga, que o Spree em Berlim, que o Liffey em Dublin), aqui em Viena é mais modesto, mas a água é... verde!
Cheguei aqui hoje de manhã, me ajeitei no quarto, peguei meu mapa e anotei os lugares aonde poderia fazer o meu próprio tour a pé. Peguei a Maria Hilfe Strasse, onde fica meu albergue, que é uma rua de boutiques. Em pleno domingo, daqui até o centro, todas as lojas fechadas. Aberto só o McDonald's e alguns cafés e restaurantes, além das lojas de souvernirs, é claro. Depois, quando eu digo que isso aqui é roça, ninguém acredita. Vai lá em NITERÓI, na Moreira Cézar domingo fazer compras pra ver se não vai ter loja aberta! Tudo bem que em Niterói não está fazendo -6 em pleno meio-dia, né? Eu e minha camisetinha térmica, mais a gola rolê preta de manga, mais o pulôver de lã de alpaca que minha mãe fez, mais um casaco preto que comprei em Dublin. Além de gorro cobrindo as orelhas e um cachecol dando tantas voltas que cobria até o nariz e fazia a respiração embaçar os óculos.
Chegando ao centro da cidade, que é delimitado por um círculo de ruas com nomes terminados em "Ring", entrei nos jardins do palácio de Hofburg, onde viveram gerações da dinastia dos Habsburgo. O prédio é muito bonito, porém... as paredes estão meio enegrecidas, não sei se por musgo ou sujeira ou incêndios. Depois de dar a volta nos jardins, saí pelos fundos e fui em direção à Stephansdom, que é a catedral de São Estevão (?). O prédio é muito, muito bonito, e lembra demais uma outra igreja (cujo nome fugiu de minha memória) que vi no alto de Buda, com torres claras enormes e pontudas e um telhado todo azulejado. Em Buda, eram azulejos amarelos, laranjas e vermelhos. Aqui, verdes e de outras cores frias e escuras. No caminho para a igreja, cerca de um quarteirão antes, porém, vi uma multidão gritando refrãos (refrões?) em uma língua estranha (mais do que alemão). Era um grande protesto contra a ditadura no Egito. Fiquei observando, vendo as plaquinhas dos manifestantes, e seguir pra Igreja. Entrei, mas não fui além de dois metros da porta, porque custava uns quatro euros e eu ainda queria andar o resto da cidade. Assim que saí, um sujeito com um inglês muito capenga veio me oferecer ingressos para ver um concerto. Ele me mostrou o programa: uns sujeitos de perucas brancas e figurinos de época. Tocariam Mozart e Strauss. A última fileira para estudante? 25 euros. Eu tenho cara de quem paga 25 EUROS para ver Mozart e Strauss ainda por cima?
Um pouco depois, enquanto andava, vi cartazes anunciando concertos... cada coisa INVEJÁVEL, mas nada pros próximos dias. Babei em um Elina Garanca and friends, dentre outras coisas tentadoras. Mas tudo tipo pra junho.
Da igreja, fui ver a Petsäule, que é uma torre no meio da praça em que um rei (qual deles? não sei) agradece a deus por ter sobrevivido à peste. Vi um bem parecido no alto de Buda, aliás. Imagino que os austríacos tenham copiado os húngaros, mas Budapeste é bem mais bonita. É só comparar as margens do Danúbio em Budapeste, cheias de prédios históricos e pontes monumentais, com em Viena, onde há... prédios e pontes banais.
Da Petsäule, eu segui até o Danúbio, que é um dos lados do centro histórico, e andei na margem. O mais bonito que vi foram gaivotas voando entre as margens.
Na volta, peguei o lado noroeste do centro histórico, onde ficam a Universidade de Viena, a prefeitura, o Parlamento.... todos prédios fascinantes. E o mais legal é que em frente a um deles (eu acho que é a prefeitura), há uma grande pista de patinação, chamada Wiener Eistraum, que é realmente um sonho. Como estava cheia, eu não entrei, mas antes de ir embora, de preferência durante a semana, que é mais barato, darei um jeito de ir lá ganhar uma dor nos pés. Tem quase dez anos que eu não patino no gelo, né?
Na volta, desci pro metrô e voltei pro albergue. Comprei um passe de três dias de transporte a 13 euros que vai acabar sendo pouco usado, mas é melhor ter a garantia de ter o bilhete caso precise do que ficar, como aconteceu em Budapeste, no alto da montanha sem bilhete de ônibus no sábado, quando os lugares que vendem bilhetes estão fechados.
Andar sozinho pela cidade é muito gostoso. Não dever satisfações, não lidar com caras feias quando se erra o caminho, parar quando dá na telha para comer um BigMac (que, aliás, eu não comia desde exatamente 30/12, em Dublin, e é uma porcaria aqui em Viena), e ainda por cima se sentir muito esperto decifrando o metrô sozinho... e acertando!