As pessoas que conheci e com quem conversei até então no hostel são americanos. Dois casais (sendo que só um deles é de fato um casal, enquanto o outro é de dois amigos). Eles têm mais ou menos a nossa idade, e, me parece, têm algo em comum conosco brasileiros, mais do que os europeus que ficam por aqui. São pessoas ótimas, com quem conversei até bastante, mas vez ou outra mandam umas dignas de W Bush.
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- Esse frio daqui é muito forte para nós brasileiros. A gente viu um monte de neve empilhada no parque ontem e foi muito emocionante, porque no Brasil o clima é quente, então a gente não vê água no estado sólido muito frequentemente.
A americana - que, pasmem, é formada em Relações Internacionais - me pergunta, abismada:
- Vocês não têm cubos de gelo no Brasil?
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- É difícil achar comida barata aqui, hein? Qualquer lugar que você vá, acaba pagando dez euros por uma refeição. Onde vocês estão comendo?
- Ah, por aqui no centro mesmo, mas sabe que eu acho bom que os preços sejam iguais? É mais igualitário, não tem diferença de classes sociais...
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- Ah, você morou na Alemanha quando era criança?
- É, meu pai foi mandado pra lá.
- Ah, ele trabalha em uma multinacional?
- Não, no exército.
- Ué. E os EUA têm uma base na Alemanha? Pra quê?
- Desde depois da Segunda Guerra. Para garantir que eles não façam muita bagunça. Sabe como é, né?