quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A última ceia

Após uma missão pela Mariahilfe rua das boutiques procurando um negócio que minha mãe pediu e não tem em loja nenhuma (duas horas andando e perguntando em inglês por algo cujo nome desconheço para pessoas que só falavam alemão), fui almoçar no vapiano para me despedir.
Desci na estação, rodei um pouquinho porque peguei a saída errada, e me encaminhei. Alguns metros antes, porém, vi um restaurante italiano familiar. Na hora me vieram à mente aquelas ideias de "ah, por que enriquecer uma rede americana de comida italiana se eu posso estimular o comércio local e os negócios familiares, né?" Entrei no restaurante, que tinha uns bancos manchados de mofo e um estilo charme decadente -- que eu particularmente adoro. Acreditei neles, pedi a salada caprese e o espaguete à carbonara, na fé de que superaria e muito o vapiano.
Chega a salada: não são tomates cereja, mas rodelas sem sabor de tomate. O manjericão não era muito saboroso, muito menos a mussarela. Eu já estava no momento "é por isso que os EUA dominam o mundo! Nem os italianos sabem mais fazer comida italiana!", mas quando veio o macarrão... que delícia! Muito, muito bom.
Peguei o metrô pra casa sem pagar. Eu tinha um bilhete de 24h que venceu hoje umas 10h, mas resolvi ignorar isso e fui e voltei pro restaurante de graça e ninguém me parou. Nesses quatro dia, nenhum agente do metrô tinha me parado. Se parassem hoje, seria muito azar, mas eu aceitaria o destino.
Daqui a pouco eu saio pra pegar o ônibus do aeroporto. Mal posso esperar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Acabo de perdoar a Europa

Eles são um continente atrasado que tira muita onda, mas o cara que fez isso saiu daqui. Eu os perdôo

Quase último dia

De manhã eu planejei ver a Igreja de São Ruprecht, mas desci na estação e não achei a igreja, resolvi voltar ao Danúbio de dia. Ficou mais bonito. Igualmente frio, mas andando para o outro lado havia pessoas caminhando, cachorros e seus donos e famílias alimentando os cisnes. Tirei algumas fotos do rio, dos cisnes (em algumas partes, havia grupos de mais de dez embolados um no outro) e da paisagem.
Voltei no hostel para trocar o filme da câmera(!), almocei com o Lio num restaurante local. Sabe o que é super típico daqui? Schnitzel. Sabe o que é um Schnitzel? Bife à milanesa. Com... batatas fritas. Eu teria vergonha de morar em um país cuja comida típica é bife à milanesa com batatas fritas.
Tomei um café com licor para esquentar e fui no museu Secession, onde está o painel que o Klimt fez a partir da Nona Sinfonia. Hmm... decepcionante, Sr. Klimt. Lamento, mas eu esperava mais.
Morrendo de frio, voltei para o hostel. Se der coragem, tomo um banho e amanhã, se o tempo cooperar, vou passear nas boutiques da Mariahilfe.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Devagar

Uma coisa ótima aqui em Viena é que o Sol não nasce tão tarde. Umas oito horas, ele já está no céu, talvez até um pouco antes. Assim fica mais fácil acordar.
Mas eu tenho acordado antes do despertador, várias vezes por noite. A ansiedade está me comendo vivo. E as horas parecem passar muito devagar por aqui. Eu acordo, faço um monte de coisa, e ainda faltam cinco horas para ir dormir.

Diana

Essa internet europeia, sempre de sacanagem com a minha cara. Cai, volta, cai, volta.
Agora à noite, seguindo a dica da prima antenada Juliana, fui na Lomography Shop aqui de Viena e comprei uma câmera. Mas ninguém vai ver as fotos tão cedo porque... tem que revelar!
Jantei com o Lio no vapiano. Estou viciado na salada caprese deles. Agorinha saí para tirar fotos com a câmera nova. Vamos ver. :D

Ils sont fous, ces autruchiens

Comecei o dia indo ao Schönbrunn Schloss, que é um dos palácios dos Habsburgo aqui em Viena. Talvez seja a residência de inverno, talvez a de verão, não sei. Para entrar e ver quartos suntuosos, com mobília e outros oiros, pagava-se cerca de dez euros. Para andar pelos jardins, não se pagava nada. Como os jardins são enormes, e eu não costumo me atrair por decoração e mobília, fiquei pelos jardins. Saí à procura do labirinto, mas no inverno ele fica sem folhas, então não é muito fácil se perder. Além do quê, ele tem mais ou menos 1,50 m de altura. No entanto, perto dele há belas estátuas de deuses gregos, assim como uma fonte de Netuno muito bonita. Aliás, o jardim é cheio de lagos e fontes. Os que ficam cheios estão congelados, mas ainda assim as gaivotas se reúnem em torno deles para... não sei. Esperar a primavera, talvez? Até lá, creio eu, elas morrem de fome.
Não preciso dizer que o jardim estava todo branco e eu fiquei com as mãos no bolso o tempo todo, né? Expostas ao ar frio e seco (maldito) daqui, em cinco minutos elas começam a arder e ficar vermelhas, depois roxas, depois a pele começa a rachar. POR FAVOR, verão.
Alguns dos monumentos são muito curiosos. Um deles se chama "ruínas romanas". Você vai até lá, parece que um dia houve alguma contrução do Império Romano aqui, e que ficaram ruínas. Nada de mais. Anda um pouquinho, tá lá a placa: "Essas ruínas foram construídas em 1700 e sei lá, criadas pelo arquiteto tal para criar uma atmosfera de antiguidade." OK, austríacos, vocês são estranhos.
Anda-se mais um pouco pelo jardim, há um obelisco enorme. Feito para ser que nem os obeliscos egípcios, apontando para o Sol. Nas laterais dele, hieroglifos contam a história dos Habsburgo. Acontece que na época em que o obelisco foi feito ninguém tinha decifrado os hieroglifos ainda. OU SEJA, os hieroglifos não dizem nada.
Eu só digo uma coisa: nunca mais foi criticar a Estátua da Liberdade daquele shopping na Barra.
Saí de lá depois de muita andança e um café com licor de ovo. É, eles tomam isso aqui, e não é ruim! O garçom é que era um idiota. Fiz questão de sair sem pedir a conta, só pra dar um susto. Deixei o dinheiro na mesa com uma gorjeta humilhante e ENCHI a minha xícara de pelinhos soltos do meu casaco para entupir a pia dele.
De lá tomei um metrô até a galeria Belvedere, onde está exposto O beijo, do Klimt. Já aviso: as reproduções do quadro são bem mais bonitas. O próprio não me impressionou muito, talvez pelo excesso de dourado, que nas fotos parece mais amarelo mesmo.
Devo comentar antes de tudo A DIFICULDADE que foi achar a entrada da galeria, porque ela ocupa um quarteirão enorme inteiro, mas tem uma ou duas portas, e nenhuma setinha. Praticamente andei vinte minutos procurando a entrada.
Uma vez lá dentro, o Klimt não me agradou tanto. Fiquei triste por não encontrar lá o retrato que ele fez a Margaret Wittgenstein, mas em compensação descobri dois pintores dos quais já tinha ouvido falar muito, mas nunca visto com cuidado: Egon Schiele e Max Oppenheimer. Os dois me agradaram muito. Além deles, um quadro específico me chamou a atenção, mas eu decorei o nome "Child of an Italian Fisherman", e não acho nada com esse nome no google. Acho que decorei errado.
Na volta para o metrô, mais um momento de Europa estranha: um outdoor enorme em alemão que, pelo que entendi, dizia "Deus não está puto, mas está perto de ficar." E um link para http://www.herrgottnocheinmal.at/, que seria algo como www.senhordeusmaisumavez.at. Sociedade fundamentalista católica? Alguém que entenda mais alemão teria que ver.
Às 15.30 cheguei no quarto e todos dormiam. Vou dar uma olhada na rua, talvez nas lojas, jantar em algum lugar, mas estou cansadinho de tanta andança e... com sono e... querendo evitar o frio a todo custo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Agora sim

Tenho que confessar: o Danúbio é enorme. Não tão largo quando a baía de Guanabara, mas bem largo. Talvez metade da baía? É um troço grande.
Após uma tarde de cama, com sono e medo do frio, resolvi fazer um programa SUPER adequado pra -3 graus: andar na beira do rio. Para quem vive em cidade de praia, é tipo andar na beira da praia... em dia de ressaca. Muito vento, muito mais frio do que em qualquer lugar da cidade. Mas lá fui eu, desci perto, olhei à direita e vi uma ponte, fui em direção. Depois consegui achar um caminho à beira do rio, que nem sei se era particular, mas entrei e fui seguindo. Tudo escuro, deserto e... frio. Pensei em ir até uma outra ponte que avistei bem longe, mas no meio do caminho desisti, porque continuava muito longe e o frio não passava.
Na beira do rio, muitos patos, marrecos e cisnes. Vi inclusive um cisne voando sobre o rio, é muito bonito.
De volta à ponte de partida, resolvi atravessá-la. QUE FRIO DOS INFERNOS, mas deu para ter uma ideia do tamanho do rio. Tem uma estação de metrô no meio da ponte! E logo ao lado da porta uma pichação: "Dieser Flusss fliesst zu mir, meine Gedanke zu dir." Eu teria fotografado se tivesse uma câmera.
Ponte atravessada e... nada do outro lado. Acho que é uma área diurna ou residencial. Peguei o metrô de volta pro centro e jantei no vapiano, porque me faltou paciência para procurar restaurante e o vapiano já é muito bom.
Olha que maravilha, achei uma foto da pichação no google. Para que ter câmera quando se tem google, né?

Guia do mochileiro idoso na Europa

Sabe aquela assimetria que a moça do RPG apontou, a moça do pilates apontou, a professora de teatro apontou, mas você nunca correu atrás de corrigir? Ela aparece mais cedo ou mais tarde. Fui andar de patins no tal do Eistraum e percebi que minha perna direita ficava arrastando no gelo fora de hora, me fazendo desequilibrar e freiar ao mesmo tempo. Tudo isso porque ela é ou mais curta ou mais longa que a esquerda, e eu não confio muito nela, o que me faz inconscientemente virar o pé pra dentro na hora que deveria mantê-la esticada e dar impulso.
O patins era muito difícil de colocar. Fiquei uns quinze minutos sem sapato com minha meia, que de repente está com um furo enorme, aparecendo pra todo mundo ver e o frio de -4 entrar.
Quando finalmente consegui me acertar com minha perna torta e pegar o gingado do gelo, depois de quase atropelar várias crianças que não entendem que há um sentido certo a seguir na pista e ficam passando na sua frente, fiquei cansado e resolvi voltar. Estava suando loucamente, vim para o hostel tomar um banho.
Antes de ir patinar, contudo, passou-se o fatídico episódio da passagem de ônibus. Provavelmente tão saudada na época de sua criação quanto o foi a União Europeia, a Eurolines é uma empresa de ônibus que coordena as empresas nacionais e oferece em um site só passagens para a Europa inteira. Lá do Brasil, mês passado, comprei uma passagem de Paris para Bilbao. No entanto, como não vou mais a Bilbao (nem a Paris), fui ao site da empresa cancelar a passagem. Para minha surpresa (quanto modernidade!), era necessário ir até o guichê da Eurolines. Peguei meu metrozinho vienense (estou super íntimo dele) e fui até a rodoviária. Chego lá, a moça vira pra mim e fala: "Você só pode cancelar essa passagem na França." "Mas eu não vou à França, moça." "Eu posso mudar a data, trocar, mas cancelar, só na França."
E saí eu com o rabo entre as pernas, morrendo em 60 euros, cantando "no raaaancho fuuuuundo, bem pra lá dooo fiiim do muuuundo...".
Coisa legal que vi hoje na rua: cartaz para uma montagem de "O estupro de Lucrécia", de Britten. Quem conhece? Fiquei muito curioso.

domingo, 30 de janeiro de 2011

E afinal o Danúbio não era o Danúbio

Saí com a Fel e dois amigos dela. Coroas austríacos que a hospedaram esse mês, pessoas ótimas, simpáticas, alegres e que também detestam o inverno, olha que legal! E então a Fel me explicou que o que eu vi de tarde era só um canal do Danúbio, mas não o próprio.
O restaurante vapiano é um achado que tem aqui e em Berlim. Se abrisse um no Brasil, acabava com Spoleto (fikdik).

Alô, seu José Strauss!

De onde foi mesmo que o senhor tirou que o Danúbio é azul? Lá em Budapeste ele é beeem largo (mais que o Tâmisa, que o Moldau em Praga, que o Spree em Berlim, que o Liffey em Dublin), aqui em Viena é mais modesto, mas a água é... verde!
Cheguei aqui hoje de manhã, me ajeitei no quarto, peguei meu mapa e anotei os lugares aonde poderia fazer o meu próprio tour a pé. Peguei a Maria Hilfe Strasse, onde fica meu albergue, que é uma rua de boutiques. Em pleno domingo, daqui até o centro, todas as lojas fechadas. Aberto só o McDonald's e alguns cafés e restaurantes, além das lojas de souvernirs, é claro. Depois, quando eu digo que isso aqui é roça, ninguém acredita. Vai lá em NITERÓI, na Moreira Cézar domingo fazer compras pra ver se não vai ter loja aberta! Tudo bem que em Niterói não está fazendo -6 em pleno meio-dia, né? Eu e minha camisetinha térmica, mais a gola rolê preta de manga, mais o pulôver de lã de alpaca que minha mãe fez, mais um casaco preto que comprei em Dublin. Além de gorro cobrindo as orelhas e um cachecol dando tantas voltas que cobria até o nariz e fazia a respiração embaçar os óculos.
Chegando ao centro da cidade, que é delimitado por um círculo de ruas com nomes terminados em "Ring", entrei nos jardins do palácio de Hofburg, onde viveram gerações da dinastia dos Habsburgo. O prédio é muito bonito, porém... as paredes estão meio enegrecidas, não sei se por musgo ou sujeira ou incêndios. Depois de dar a volta nos jardins, saí pelos fundos e fui em direção à Stephansdom, que é a catedral de São Estevão (?). O prédio é muito, muito bonito, e lembra demais uma outra igreja (cujo nome fugiu de minha memória) que vi no alto de Buda, com torres claras enormes e pontudas e um telhado todo azulejado. Em Buda, eram azulejos amarelos, laranjas e vermelhos. Aqui, verdes e de outras cores frias e escuras. No caminho para a igreja, cerca de um quarteirão antes, porém, vi uma multidão gritando refrãos (refrões?) em uma língua estranha (mais do que alemão). Era um grande protesto contra a ditadura no Egito. Fiquei observando, vendo as plaquinhas dos manifestantes, e seguir pra Igreja. Entrei, mas não fui além de dois metros da porta, porque custava uns quatro euros e eu ainda queria andar o resto da cidade. Assim que saí, um sujeito com um inglês muito capenga veio me oferecer ingressos para ver um concerto. Ele me mostrou o programa: uns sujeitos de perucas brancas e figurinos de época. Tocariam Mozart e Strauss. A última fileira para estudante? 25 euros. Eu tenho cara de quem paga 25 EUROS para ver Mozart e Strauss ainda por cima?
Um pouco depois, enquanto andava, vi cartazes anunciando concertos... cada coisa INVEJÁVEL, mas nada pros próximos dias. Babei em um Elina Garanca and friends, dentre outras coisas tentadoras. Mas tudo tipo pra junho.
Da igreja, fui ver a Petsäule, que é uma torre no meio da praça em que um rei (qual deles? não sei) agradece a deus por ter sobrevivido à peste. Vi um bem parecido no alto de Buda, aliás. Imagino que os austríacos tenham copiado os húngaros, mas Budapeste é bem mais bonita. É só comparar as margens do Danúbio em Budapeste, cheias de prédios históricos e pontes monumentais, com em Viena, onde há... prédios e pontes banais.
Da Petsäule, eu segui até o Danúbio, que é um dos lados do centro histórico, e andei na margem. O mais bonito que vi foram gaivotas voando entre as margens.
Na volta, peguei o lado noroeste do centro histórico, onde ficam a Universidade de Viena, a prefeitura, o Parlamento.... todos prédios fascinantes. E o mais legal é que em frente a um deles (eu acho que é a prefeitura), há uma grande pista de patinação, chamada Wiener Eistraum, que é realmente um sonho. Como estava cheia, eu não entrei, mas antes de ir embora, de preferência durante a semana, que é mais barato, darei um jeito de ir lá ganhar uma dor nos pés. Tem quase dez anos que eu não patino no gelo, né?
Na volta, desci pro metrô e voltei pro albergue. Comprei um passe de três dias de transporte a 13 euros que vai acabar sendo pouco usado, mas é melhor ter a garantia de ter o bilhete caso precise do que ficar, como aconteceu em Budapeste, no alto da montanha sem bilhete de ônibus no sábado, quando os lugares que vendem bilhetes estão fechados.
Andar sozinho pela cidade é muito gostoso. Não dever satisfações, não lidar com caras feias quando se erra o caminho, parar quando dá na telha para comer um BigMac (que, aliás, eu não comia desde exatamente 30/12, em Dublin, e é uma porcaria aqui em Viena), e ainda por cima se sentir muito esperto decifrando o metrô sozinho... e acertando!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Cancerianices

Agora que a viagem começa a parecer uma espécie de passado, toda uma nova luz belíssima dá novas cores a ela.

Enfim, o tour

Depois de perder a hora e o lugar ontem de manhã, hoje fiz o walking tour. O Lio infelizmente ficou dormindo no hostel. O passeio foi ótimo, vi muitas coisas. O bastante ao menos para querer voltar aqui e ver mais um bocado de lugares, e comer em outros... Pena que só fui hoje, ou então teria usado meu tempo melhor ontem. Ainda assim, Budapeste está coladinha com Praga no primeiro lugar das favoritas. Praga é muito bonita, mas parece um vilarejo que recebe turistas. Seria, assim, uma Parati. Budapeste é linda, mas já tem jeito de cidade grande, gente na rua, e ao menos tempo é menos turística no mau sentido de turística (tipo em Praga, onde todos os restaurantes têm uma placa "Comida típica Tcheca" na porta).
Voltei ao hostel e fui com Lio e mais dois conhecidos daqui comer no Paprika, um restaurante ao lado da Praça dos Heróis. Comi uma coxa de ganso INTEIRA e um fígado de ganso INTEIRO e um monte de batata com repolho. Estou exausto e preciso tirar uma soneca se quiser dar uma volta mais tarde.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quando o frio tá brabo

, nós vai pra piscina. Após perder o horário pro tour gratuito pelo centro histórico, fomos a uma das várias casas de banho de Budapeste. Diversas piscinas, dentre internas e externas (cercadas de neve) com água quentinha vinda das profundezas da terra. Algumas a 20 graus (não tão quentes), outras a 50. Algumas com correnteza, outras com massagem. É tipo o Budapeste Water Planet, mas com o acréscimo de ficar na aguinha quente enquanto lá fora faz -3.

A Europa é tão evoluída

que a privada espirra em você na hora da descarga.
As primeiras horas de Budapeste foram interessantes. Fomos ao Museu do Terror, que, depois de serem o QG dos nazistas na Hungria, virou o QG dos russos. Lá eles contam a história das duas ocupações, homenageiam as vítimas das ditaduras (e como morreu gente, viu?) e comemoram a liberdade recente. O último húngaro que tinha sido levado para a Rússia para trabalhos forçados só voltou para casa em 1991. A gente aqui encarando o Collor, e eles ainda se recuperando de um massacre.
Depois fomos a um pub com o povo do hostel. Eram três australianos, um inglês e um canadense, que foi o mais simpático, mas foi embora cedo porque tinha que ir para Belgrado. Os outros me aborreceram um pouco, então voltei para casa. É, Juliana, gente chata abunda em todos os lugares do mundo, sorry to disappoint.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Excuse me, marijuana?

A frase do título foi a mais ouvida nesses dias de Praga. A segunda é "Excuse, would you like a darling?" Pelo que o Jason, do trem, me disse, fumar maconha não é ilegal. Vender é, mas você vai na praça principal do centro histórico aqui (não é deserto nem escuro nem assustador, muito pelo contrário) e um cara te ouve falar uma língua estrangeira e vem te oferecer maconha. Outros oferecem prostitutas e shows de stripper (são das darlings). E é até aí que Praga é esquisita. De resto, é limpinha, civilizada, super segura, simpática (para europeus, os tchecos são simpáticos sim). Muita gente fala inglês, mas não todos. Diria que uns 50% do povo a quem pedi ajuda na rua (ou em outros lugares) sabia.
No bar em que fomos ontem, em cima de cada mesa havia uma espécie de cabide, onde ficavam pendurados uns biscoitos salgados arredondados. Eles ficam lá o dia inteiro, expostos (a fumaça de cigarro, à mão de quem quiser mexer neles, ao ar viciado do bar...) até alguém resolver comê-los.
Fora isso, é tudo muito bonito aqui. A Karluv most (Ponte do Carlos) me parece o lugar mais bonito que visitei aqui nas oropa.
Hoje fizemos uma certa confusão. Eu achei que nosso trem para Budapeste saía meio-dia. Acordamos às oito e olhei de novo a passagem: meio-dia era a chegada. A partida era 05.30, ou seja, tínhamos perdido nosso trem. Chateado, fiz minha mala e desci para fazer o check-out no hotel e partir para a estação pronto para pegar o primeiro trem para Budapeste que aparecesse. Quando chego na recepção, o gerente me diz: "Ué, mas já? Vocês tinham reservado até amanhã." "Poxa, desculpa, a gente deve ter errado. Dá pra não pagar essa diária que sobra?" "Não, tudo bem, é claro!"
Nesse momento a lampadinha acendeu na minha cabeça. Fui olhar a passagem: o trem é só amanhã! Ganhamos um dia em Praga!
Fui a uma exposição do Mucha. Não o museu oficial dele, mas uma galeria pequena. À tarde fomos ao museu Kafka. É bem diferente a concepção, mas muito boa. Inclui trechos de manuscritos, fotos da vida dele, música ambiente e alguns textinhos críticos. Como um todo, fica coeso e interessante para quem conhece ou não conhece a obra dele.
À noite fomos em mais um restaurante tcheco. A comida não estava lá essas coisas, mas ainda assim gostosa.
Agora preciso ir dormir, porque AMANHÃ SIM tenho um trem.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Segunda noite tcheca

Após um almoço de goulash, um dia de castelo e compras na liquidação da Zara, DESCOBRI uma loja de partituras virando a esquina no hotel. MUITO melhor do que o que achei em Berlim. 180 euros a menos na minha vida.
Reencontramos o casal holandês de ontem no mesmo restaurante, mas fomos para outro. Comi lombo de porco com cebola e molho de cerveja. Até agora, a comida tcheca é a melhor da viagem.
Conversamos com eles, o Rudolf e a Anne Marie, e descobri que ele é canceriano e ela taurina. Estão juntos há um ano. Ele queria morar junto, mas ela não abre mão de morar com o cachorro e o gato. Ele é alérgico e fica triste com isso. Mas eles gostam muito um do outro.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Praga

Ontem ainda em Berlim fui ao Museu dos Judeus, que é interessante mas grande demais. À noite fomos ao restaurante turco com o Yilmaz, e eu falei MUUUITO alemão. Inclusive usei o dativo e a Fel me elogiou.
A viagem para Praga foi tranquila. Dormi um pouco e conversei com um americano, o Jason, que mora aqui há 10 anos, e me deu algumas dicas. Inclusive nos ajudou a chegar ao hostel. Chegando à nossa estação de metrô, fomos ao guichê de informações, mostramos o endereço, e um velhinho que só falava tcheco ficou olhando o mapa, fazendo caretas, rindo e falando... tcheco.
ENFIM chegamos, demos uma descansada e fomos jantar. U Medvisko é o nome do restaurante, acho, e fica na... continuação da rua Karlowka. Desconfio que ka é rua em tcheco, mas a gente fica pedindo informação perguntando pela rua Karlowka, e os tchecos devem achar engraçado.
Conhecemos um casal holandês no restaurente, o Rudolph e a Anne Marie. Coroas engraçados, nos emprestaram 100 coroas quando descobrimos que o restaurante não aceitava cartão e marcaram de tomarmos uma cerveja amanhã às 19. Antes disso temos UM DIA para rodar Praga, porque na quarta saímos meio-dia para Budapeste. Vamos acordar bem cedinho.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Berlim me cansa!

Estou há dias sem escrever porque estamos numa rotina de acordar tarde, ir passear, emendar na noite e chegar muito tarde em casa. Ainda consigo abrir o skype e dar um alô, ou responder e-mails, e o blog acaba ficando para depois.
Ontem dei uma volta no Tiergarten, um parque enorme que tem no meio de Berlim. Depois do passeio, fui ligar pra Fel para nos encontrarmos. CADÊ que tem orelhão? UMA HORA procurando, acabei pegando um ônibus, voltando pra praça central aqui (a Alexander Platz) pra ligar pra ela. Realmente, a Europa tira muita onda de desenvolvida, mas é um puta dum rancho fundo bem pra lá do fim do mundo.
Depois fomos a um mercadinho turco, um troço sem turistas, cheio de locais comprando legumes, tecidos e bobaginhas. Bem interessante.
À noite fomos a uma festa Musik qualquer coisa. Os alemão são RI-DÍ-CU-LOS dançando.
Mas o mais importante eu me esqueci de contar: desde o primeiro dia, temos comido kebab todo dia no Döner Inn, uma lanchonete no meio da Alexader Platz. E logo no primeiro dia o tio que trabalha lá, o Yilmaz, foi muito simpático e puxou assunto. Temos voltado sempre lá e batido papo com ele (a Fel mais do que nós, porque é papo em alemão, né). Ontem eu contei que meia-noite a Fel fazia 24, ele não deixou ela pagar, improvisou um bolinho árabe e ainda nos deu chá. Esse foi feito pela Fel, que assumiu o papel de vendedora atrás do balcão e disse que já pode ir trabalhar lá. Divertidíssimo. Recomendo a todos o Döner Inn da Alex, entre 15 e 2h, que é o turno do Yilmaz.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Noite Berliner

Voltar pra casa em uma noite de inverno me agrada desde os 11 anos. A dois graus é tão gostoso quanto.
Fomos com a Fel comer o kebab melhor de Berlim, segundo ela. É bom mesmo. Depois passeamos no Unter den Linden, vimos o portão de Brandenburgo (que é lindo mesmo) e fomos a Oranienburg Strasse, que é a rua das noites aqui. Entramos num bar com a foto do Elvis na porta. Dançamos música dos anos 60/70 e rimos dos alemães, que dançam muito engraçado.
A Fel ajudar horrores na comunicação, mas eu também me meto às vezes. Eles me entendem, mas eu não entendo das respostas.

Berlim dia 1

Estava prestes a postar para elogiar os banheiros alemães - porque os britânicos até aqui eram muito caidinhos. Até que cheguei no hostel e fui tomar banho. Sabe torneira de válvula, que dá um jatinho de 15 segundos? É um chuveiro assim. Então você toma um jato quente, depois entra um vendo frio por baixo da porta enquanto você se ensaboa. Depois um jato quente para tirar o sabão... uma vergonha.
Ao menos a internet é grátis e dois rapazes prestativos resolveram ligar a lareira aqui na frente do sofá.
Daqui a pouco encontro a Fel Cury, que nos levará para passear. Se meu Skype funcionar, claro.
O ônibus daqui era BEM estranho. Na entrada do Eurotunel, os policiais entraram e carregaram um cara com cara de mafioso. A gente se cagou. Seguimos sem carimbo no passaporte, aliás, que todo mundo olha e devolve sem anotar nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ontem e hoje

Passamos o dia no Tate Britain e de tardinha fizemos um happy hour de despedida com Mel e Igor (o casal 20 mais 20 de Londres). Foi divertidíssimo.
Agora de manhã fomos aos correios. Eu sozinho gastei 70 libras pra mandar os livros que comprei e 10 para dois pôsteres do Tate (um do Millais e outro do Rothko). Ainda assim, é mais barato que comprar no Brasil. Incrível, né? Mas são uns vinte livros. Pelo Amazon eu pagaria uns 10 dólares de frete por cada um, quer dizer...
Daqui a pouco vamos para a rodoviária almoçar e pegar o ônibus para Berlim. Londres deixará saudades. Não tantas quanto o Brasil, mas deixará.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Penúltimo dia

Fomos hoje cedo para Camden Market com as australianas, mas a perdemos rapidinho no meio das tentações. Muita coisa usada e nova na feirinha, tudo a preços ótimos. Comprei um box das sinfonias de Beethoven, outro com uma ópera do Stravinsky e outro com La Bohème. Tudo em um sebo. Além da Construção do personagem, do... aquele russo do teatro, qual o nome mesmo? Stanislavski.
Depois fomos à Tower of London, olhamos por fora (porque 15 libras uma hora antes do troço fechar é dinheiro demais) e andamos até Picadilly Circus, onde gastei 150 libras em livros. Fiz um estrago na Waterstone, pois é.
Agora voltamos, conhecemos uma americana simpaticíssima que fala espanhol e cá estou.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Notting Hill e Hyde Park

Mais uma vez, andamos. O Lio queria sair agora à noite, mas estou com preguiça.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

British Museum

Fomos lá. Pegamos uma chuva enorme na saída, a caminho do Buckingham Pallace, e ninguém sabia dizer o caminho do Buckingham Pallace. Demos uma volta monstra no metrô e na calçada e afinal... vimos o castelo. Voltamos pra casa nos perdendo ligeiramente e enfim estamos descansando, porque o dia foi grande e cheio.
Pouco a pouco concluo que não importa a amizade, o meu modo de viajar preferido é sozinho.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nunca na história dessa viagem

faltou tempo. Em Londres, de repente são 10 da noite. Até aqui, às 5 a gente já estava voltando pra casa com frio e as ruas estavam desertas. Aqui nada para! É fantástico. Eu não consigo nem mandar os meus postais! Hoje consegui comprar selos. UFA.
Fomos ao Tate Modern e depois com a Mel à London Bridge, que é linda. Comemos num restaurante chinês e eu abusei, depois fomos na Prymarket, que é uma loja MUUUUITO barata. Abusei de novo.
Londres de fato é tudo isso que as pessoas falam. A língua que menos se ouve na rua é inglês. Tem muito mais chinês, português (do Brasil), espanhol, francês, árabe... e as pessoas não são muito simpáticas não. Mas aqui no hostel eu me surpreendi com a simpatia dos colegas de quarto e coisa e tal. Bem diferente dos outros lugares. Muitos europeus vêm pro hostel em Londres pra procurar emprego e depois apartamento. É bem engraçado para mim, que imaginava encontrar só outros mochileiros doidos.
A saudade é grande, mas estou aprendendo a me controlar. Abaixo um quadro que eu nem sabia que ficava no Tate e fiquei muito feliz de encontrar. Chama-se Portrait, do Roland Penrose.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Looking for flying saucers in the sky

Londres deu um upgrade enorme na viagem. Talvez seja meu estado de espírito, que melhorou hoje, talvez seja ter encontrado enfim a Mel depois de seis meses. Demos uma boa volta pelo centro da cidade, tomamos umas cervejas e gravamos um parabéns pro Marlon.
O metrô é enorme em matéria de quantidade de estações, mas as estações e os carros são pequenos e alguns são bem sujos. Eu fiquei com nojinho de sentar.
Amanhã vamos ao Tate Modern!!!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Último dia em Ed

Acordamos tarde e almoçamos em um restaurante de serviço lento. Deu tempo de ir ao jardim botânico (que foi meio sem graça, porque estava tudo branco) e passear em um sebo. Comprei o Liddel&Scott abridged e um livro sobre a Mary Queen of Scots (para presente). Os dois devidamente envelopados para o Brasil.

Festas de domingo à noite em Edimburgo


Planejamos ir a uma festa, mas encontramos uns franceses aqui do hostel em um pub em que fizemos um pitstop, e meio que os seguimos até um lugar chamado Frankenstein, onde tocavam hits dos anos 90 alternados com videokê. Depois de uns uísques (estou começando a tomar gosto pela coisa), cantamos Bohemiam Rhapsody com a menina francesa. Foi intenso. E o DJ disse que tinha sido a melhor música da noite. Olha só, né? Podia ter nos arranjado umas cervejas como prêmio!
Os franceses são simpáticos, mas meio frios ao mesmo tempo. Não dá pra entender muito bem se somos bem vindos com eles ou não, mas usamos de nossa cara da pau brasileira e nos metemos no programa. Eles pareceram gostar no fim das contas, principalmente uma menina chamada Morgane, muito simpática e disponível para me ensinar expressões em francês (pena que não existisse nenhuma para o que eu queria dizer).

domingo, 9 de janeiro de 2011

Edimburgo é mesmo uma graça. Eu moraria aqui se houvesse mais brasileiros. Os europeus são meio nojentos, principalmente os que se hospedam e trabalham nos albergues. Os da rua, que nos dão informação, são mais simpáticos. Pena que nem sempre eu os entenda. Em geral os de classe mais baixa (como guardas de trânsito) são incompreensíveis.
Hoje fomos ao castelo de Edimburgo, que é muito bonitinho, e à residência de verão da rainha, que não é lá tão legal. Está tudo bem, mas estou com preguiça de escrever.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Neve neve

Hoje fomos eu e Lio a Holyrood Park, Edinburgh. Estava tudo nevado, há montanhas, lagos e muito branco pra fazer bolinha, fazer brasileirice...
Dani deve voltar mais cedo mesmo, talvez semana que vem. Eu e Lio prosseguimos corajosos nesse BBB.

Já em Edinburgh

Os nervos estão à flor da pele. Preciso dar uma caminhada para relaxar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Eu moraria em Stirling

Mas não pretendo me mudar dessa vez. Ontem à noite fui sair e procurar um lugar pra jantar. CLARO que às 22.30 eles não estavam mais servindo comida, mas entrei no pub N. 2 Baker Street, parei no balcão e um escocês comentou o frio comigo. Eu respondi que para um brasileiro era bem frio mesmo, e estou me convencendo que me declarar brasileiro é a chave para o sucesso. Ele me comprou um drinque, me chamou para sentar na mesa dele e fiquei lá com os amigos dele. Me pagou mais umas duas doses de energético com qualquer coisa, depois duas tequilas, depois uma cidra e uma cerveja. Quando o pub fechou à meia noite, eu disse que ainda precisava jantar, ele me levou num kebab shop e me pagou um kebab. Quando eu tentava pagar algo pra ele, ele refutava dizendo que eu estava viajando e não devia pagar nada.
Voltando para o hostel, bem na porta, uma figura estranha com um sotaque difícil me abordou falando algo como: "Se uma garota te dá um chute no saco e bla bla bla [essa parte eu não entendi nem na terceira vez], é um assalto, certo?" Depois de pedir para ele repetir umas duas vezes, continuei na dúvida se ele era só um louco me contando uma história maluca ou se estava me assaltando. Por via das dúvidas, concordei que devia ser um assalto e essas garotas são malucas assim que consegui abrir a porta do hostel e subi rapidinho.
Hoje fomos ao castelo de Stirling, que ainda está em reforma em grande medida. Mas as partes que estavam abertas me agradaram muito, principalmente uma série de tapeçaria chamada The Hunt of the Unicorn.
Antes do castelo, fomos ao monumento a Willi Wallace, onde subimos 200 e tantos degraus de uma torre e eu perdi meu gorrinho. Acabei comprando um com a bandeira da Escócia que cobre bem as orelhas, mas não é bem a mesma coisa.
Agora à noite começou a nevar aqui na janela. Eu fui lá fora botar a mão. E a boca também, mas não tem gosto de nada porque derrete assim que encosta na pele. Daqui a pouco vou lá de novo.
O hostel é um lugar antipático de pessoas antipáticas. Quando acertamos na cidade, erramos no hostel. A internet só começou a funcionar hoje, mas ainda assim muito lentamente. Os gringos aqui na sala de estar ficam vendo DVD e jogando poker online. Booooring. Acho que vou lá fora ver a neve mais um pouquinho.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ja em Stirling

Depois de vir aqui ontem, seres bebados e estranhos nos abordaram de madrugada na estacao de Holyhead, enquanto esperavamos o trem. Saimos de fininho e estah tudo bem, mas nosso hostel (Willy Wallace) eh uma bosta. Escadas interminaveis, aquecimento fraco e wifi quebrado. Estou na biblioteca da cidade, justo agora que eu tinha comprado creditos pro skype para poder ligar pro Brasil. AFE.

Preciso dizer

A Escócia é linda e branca. Já bateu a Irlanda só de aparecer na janela do trem. Agora vamos ver como é que fica esse frio lá fora...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

La barca

Ja estou em solo britanico. A barca ate aqui foi tranquila, a nao ser por uns bebados falando alto. Acho que nunca vi dentes tao tortos, e olha que eles nem eram ingleses.
Temos que esperar ate 4. Sao 2 agora.
Tem horas que a saudade bate forte, bem forte. Eu quase que enfio o cartao de credito no orelhao as vezes.

Dias melhores

Partimos hoje para Escócia. Lio só vai amanhã, quando o passaporte dele estará pronto. Dani está bem melhor.
Hoje fomos ao Dublin Writers Museum. Em matéria de informação, é só biografia e historiografia. Mas alguns retratos dos autores (não pintados por eles, mas deles) me surpreenderam pela beleza, como o towards an image of samuel beckett, acima.
O Book of Kells fica exposto aberto em uma página apenas, o que não é tão legal. A exposição sobre ele é OK, mas não paga os oito euros. Já a biblioteca, inclusa no preço, é muito bonita.
Hoje despachei cinco quilos de livros pra casa. Me abasteci de Beckett, Wilde e Joyce, além de alguns de filosofia que me pareceram interessantes e não se encontram no Brasil.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Breve momento de antiamericanismo

As pessoas que conheci e com quem conversei até então no hostel são americanos. Dois casais (sendo que só um deles é de fato um casal, enquanto o outro é de dois amigos). Eles têm mais ou menos a nossa idade, e, me parece, têm algo em comum conosco brasileiros, mais do que os europeus que ficam por aqui. São pessoas ótimas, com quem conversei até bastante, mas vez ou outra mandam umas dignas de W Bush.
***
- Esse frio daqui é muito forte para nós brasileiros. A gente viu um monte de neve empilhada no parque ontem e foi muito emocionante, porque no Brasil o clima é quente, então a gente não vê água no estado sólido muito frequentemente.
A americana - que, pasmem, é formada em Relações Internacionais - me pergunta, abismada:
- Vocês não têm cubos de gelo no Brasil?
***
- É difícil achar comida barata aqui, hein? Qualquer lugar que você vá, acaba pagando dez euros por uma refeição. Onde vocês estão comendo?
- Ah, por aqui no centro mesmo, mas sabe que eu acho bom que os preços sejam iguais? É mais igualitário, não tem diferença de classes sociais...
***
- Ah, você morou na Alemanha quando era criança?
- É, meu pai foi mandado pra lá.
- Ah, ele trabalha em uma multinacional?
- Não, no exército.
- Ué. E os EUA têm uma base na Alemanha? Pra quê?
- Desde depois da Segunda Guerra. Para garantir que eles não façam muita bagunça. Sabe como é, né?

Cadeia

Passamos a tarde em uma antiga cadeia de Dublin. Muito bonito e interessante, principalmente pensando que eles já reformaram o sistema deles há 150 anos quando perceberam que não se pode manter todo mundo misturado, subornos aos vigias, privilégios para presos ricos e condições desumanas para a maioria dos presos.
Andamos bastante. Dani ainda em casa tomando xarope.
Dani estava meia estranha ontem, hoje acordou com muita tosse. A cama dela fica em frente ao aquecedor, isso não deve fazer muito bem.
Compramos xarope para ela e fomos à embaixada brasileira para ver o passaporte do Lio. Mas hoje é feriado e a embaixada está fechada.
Por enquanto, só eu estou são e salvo. E é bom que continue assim, porque senão meus amigos ficam indefesos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dia 4

É engraçado como eu me sinto aqui há muito tempo, mas ao mesmo tempo ansioso pelos poucos dias que tenho e com saudades de casa.
Hoje fomos a vários lugares fechados e inexistentes, como a casa do Oscar Wilde. Jamais tentem visitá-la, pois é apenas uma porta.
Em compensação, a menos de um quarteirão dela fica a Sweny, a farmácia visitada em Ulysses. Atualmente, um grupo de voluntários paga o aluguel e fica lá vendendo livros usados, organizando noites de leitura de Joyce e conversando com quem entrar. Batemos um papo com o PJ (Patrick Joseph), que deve ter uns 60 anos e disse que é parente do Beckett (algo como primo do sobrinho da tia-avó do Beckett) e bate um loooongo papo conosco. Um amor de pessoa, nos deu dicas ótimas e ainda me deu um chazinho delicioso que me ajudou a esquentar o corpo.
Mas antes de chegar lá fomos a Stephen's Green, um parque com um lago no meio e... o lago estava congelado! Várias aves escorregavam sobre o gelo e tentavam pegar algum peixe nas partes próximas à borda, que não tinham congelado. Só então percebi que estava frio. Pelo visto, durante o dia tivemos +1 grau durante o dia, mas a mínima prevista é -3 (talvez agora à noite, enquanto saímos para tomar uma Guiness). Eu mesmo tinha esquecido de levar gorro, minha orelha ficou roxa (mas não caiu, mãe, pode ficar tranquila) e o Lio me emprestou o gorro dele.
Almoçamos fish and chips (e brincamos de trocadilhar com fish and chicks, chick and shits, shit and piss, enfim...) e eu me senti enfim comendo algo mais autêntico daqui. De aperitivo, tomei uma dose de vodka caríssima, mas revigorante.
Agora estou aqui no MSN, mas as pessoas (ham ham) não conectam. Acho que vou comprar uma garrafa de absolut ali para enxaguar a boca.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Dia lindo, recebi e-mails lindos, vi coisas lindas, mas Lio perdeu documentos e nós estamos tentando resolver por ele.